Armazenamento de imagens médicas: O problema que cresce no silêncio dos servidores

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Gustavo Khattar de Godoy

Gustavo Khattar de Godoy, médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, com doutorado pela UNICAMP e pós-doutorado pelo Johns Hopkins Hospital, atua em um campo onde essas decisões têm impacto direto na qualidade diagnóstica e na segurança do paciente. Afinal, todo exame de imagem gera dados. Uma tomografia computadorizada de tórax pode produzir centenas de imagens, cada uma com informações que precisam ser armazenadas, transmitidas e recuperadas com fidelidade quando necessário. Multiplique isso pelo volume diário de um serviço da área de radiologia com um porte médio e o resultado é uma infraestrutura de dados que cresce de forma contínua e exige decisões estratégicas que vão muito além da escolha de um servidor com espaço suficiente.

Ao longo deste artigo, você vai compreender por que o armazenamento de imagens médicas é um desafio mais complexo do que parece e o que os serviços precisam considerar antes que o problema se torne crítico. Leia a seguir e saiba mais!

Por que o volume de dados em radiologia cresce mais rápido do que a infraestrutura?

A evolução tecnológica dos equipamentos de imagem produziu um paradoxo: exames mais precisos geram arquivos maiores, e a demanda por esses exames cresce continuamente. Em vista disso, Gustavo Khattar de Godoy expressa que as tomografias de alta resolução, ressonâncias com sequências múltiplas e estudos funcionais que antes eram exceção tornaram-se parte da rotina de muitos serviços. O resultado é um crescimento exponencial no volume de dados que precisa ser armazenado, gerenciado e mantido acessível por longos períodos, em conformidade com as exigências regulatórias de guarda de prontuários.

Na avaliação do Dr. Gustavo Khattar de Godoy, muitos serviços de radiologia ainda tratam o armazenamento como uma questão puramente técnica, delegada integralmente às equipes de tecnologia da informação sem envolvimento clínico nas decisões estratégicas. No entanto, essa separação é um erro. Já que a escolha entre armazenamento local e em nuvem, os critérios de compressão das imagens e os protocolos de backup têm implicações diretas na qualidade dos dados disponíveis para o diagnóstico e na capacidade do serviço de recuperar informações críticas em situações de falha.

Gustavo Khattar de Godoy
Gustavo Khattar de Godoy

Compressão de imagens: onde a eficiência e a qualidade diagnóstica se encontram

A compressão de arquivos de imagem é uma das ferramentas mais utilizadas para gerenciar o crescimento do volume de dados, mas sua aplicação exige critérios. Na prática, existem dois tipos fundamentais de compressão: a sem perda de dados, que reduz o tamanho do arquivo sem comprometer nenhuma informação da imagem original, e a com perda de dados, que alcança reduções maiores ao eliminar informações consideradas redundantes. Contudo, a segunda é significativamente mais eficiente em termos de espaço, mas pode comprometer detalhes que, em determinados contextos clínicos, são diagnosticamente relevantes.

De acordo com Gustavo Khattar de Godoy, médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, a decisão sobre qual tipo de compressão adotar não pode ser tomada apenas com base em critérios de custo e espaço. Isso porque é necessário avaliar quais tipos de exame e quais especialidades serão afetados, quais são os padrões de qualidade aceitáveis para cada modalidade e como as imagens comprimidas se comportam quando acessadas por sistemas de inteligência artificial ou utilizadas em comparações seriadas ao longo do tempo. Assim sendo, essa análise exige diálogo entre os médicos com especialização em radiologia, equipes de tecnologia e gestores, e raramente acontece com a profundidade necessária.

Armazenamento é decisão clínica, não apenas infraestrutura

Tratar o armazenamento de imagens médicas como um problema exclusivamente técnico é subestimar seu impacto na qualidade do diagnóstico e na segurança do paciente. Considerando que cada decisão sobre como os dados são guardados, comprimidos e recuperados tem consequências que chegam até o laudo e, por extensão, até a conduta clínica. Portanto, o Dr. Gustavo Khattar de Godoy resume que os serviços que reconhecem essa dimensão e envolvem os médicos especializados em radiologia nessas decisões constroem uma infraestrutura que serve ao diagnóstico.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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