eVTOL da Eve entra na fase mais decisiva do programa antes da certificação

Diego Velázquez
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Empresa ligada à Embraer inicia voos de transição em 2026 e projeta os próximos passos rumo à operação comercial da mobilidade aérea urbana

O programa de eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, avança para a etapa considerada mais desafiadora de todo o desenvolvimento da aeronave. Depois de concluir a fase conceitual e iniciar os ensaios em voo, a empresa entrou em uma nova etapa focada na certificação e na futura entrada em operação comercial, com avanços apresentados durante o Farnborough International Airshow de 2026. Aeroflap

O protótipo em escala real da Eve realizou seu primeiro voo pairado em dezembro de 2025, um marco que validou a arquitetura da aeronave, os controles fly-by-wire e o sistema de propulsão integrado. Desde então, o ritmo de testes se acelerou rapidamente. Em abril de 2026, a companhia já havia atingido 50 voos de teste bem-sucedidos, totalizando mais de duas horas de voo acumuladas com o protótipo de engenharia. EmbraerDefesa Aérea & Naval

Um mês depois, o programa avançou para outro patamar. Em 21 de maio, a Eve anunciou a conclusão do bloco de voos pairados e de baixa velocidade, com 59 voos realizados e 2 horas, 27 minutos e 33 segundos de tempo acumulado, preparando o protótipo para os voos de transição previstos para julho e agosto de 2026. Lrcadefenseconsulting

Voos de transição: a etapa mais desafiadora do programa

A expectativa da empresa é iniciar ainda neste trimestre as transições parciais e concluir as transições completas até o fim de 2026, período em que o eVTOL passa do voo pairado para o voo de cruzeiro sustentado pelas asas. Paralelamente aos testes em curso, a Eve segue produzindo novos protótipos que vão compor uma campanha de certificação formada por seis aeronaves, todas dedicadas a validar diferentes aspectos do projeto junto aos reguladores. Aeroflap

O CEO da companhia reforça que o momento representa a transição de um discurso de possibilidades para uma execução prática do plano de certificação. A empresa segue trabalhando em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil, autoridade primária responsável pela certificação do eVTOL da Eve, para avançar tanto na regulação quanto no processo técnico de aprovação da aeronave. Embraer

O avanço da Eve acontece em meio a uma disputa acirrada entre fabricantes de eVTOL ao redor do mundo. Concorrentes como a norte-americana Joby Aviation já completaram centenas de voos de transição e realizaram demonstrações comerciais entre o Aeroporto JFK e Manhattan em abril de 2026, enquanto a britânica Vertical Aerospace realizou seu primeiro voo de transição tripulado em meados de abril, dentro do arcabouço regulatório da autoridade de aviação civil do Reino Unido. Diante desse cenário, a certificação da aeronave da Eve, inicialmente esperada para 2027, passou a ser projetada para 2028, embora a companhia mantenha o discurso de que sua trajetória segue o cronograma interno estabelecido, com foco em segurança. Lrcadefenseconsulting

O que vem a seguir para a mobilidade aérea urbana

Apesar do ajuste no cronograma, o interesse comercial pelo projeto segue forte. A carteira de intenções de compra da Eve soma bilhões de dólares em valor estimado, o que mantém pressão sobre a companhia para cumprir as próximas etapas dentro do prazo revisado. No Brasil, a operação inicial da tecnologia é projetada para São Paulo, cidade que já concentra a maior frota de helicópteros urbanos do mundo e que poderia adaptar parte de sua infraestrutura de helipontos para receber os futuros vertiportos do sistema.

Para quem acompanha o setor de aviação no Brasil, o desenvolvimento do eVTOL da Eve representa um capítulo à parte dentro da história recente da Embraer, unindo décadas de experiência aeronáutica a um mercado ainda em formação. Os próximos meses, marcados pelo início dos voos de transição, devem ser decisivos para confirmar se o cronograma revisado para 2028 será cumprido ou se novos ajustes ainda serão necessários antes da aeronave chegar, de fato, aos céus urbanos brasileiros.

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