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Tecnologia

Brasil amplia produção de combustível sustentável de aviação com novas tecnologias

Mila Korvenko
agosto 21, 2026 5 Min de leitura
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Investimentos de empresas como Petrobras, Acelen e Honeywell colocam o país entre os líderes globais na fabricação do SAF

Contents
Novos investimentos aceleram a produção nacionalA tecnologia por trás do combustível verdeTestes com aeronaves brasileiras mostram avanço do setor

A corrida para descarbonizar a aviação está movimentando a indústria brasileira. Nas últimas semanas, duas iniciativas ganharam destaque no setor: a parceria entre a Honeywell e a Acelen Renováveis para equipar uma nova fábrica de combustível sustentável de aviação na Bahia, e o lançamento, por Bunge, Petrobras e Vibra, do primeiro lote comercial de SAF produzido com soja brasileira certificada segundo os padrões internacionais da Organização da Aviação Civil Internacional. Os movimentos reforçam a posição do Brasil como um dos países com maior potencial de produção desse tipo de combustível no mundo.

Novos investimentos aceleram a produção nacional

A fábrica da Acelen, empresa do fundo árabe Mubadala, deve receber cerca de R$ 15 bilhões em investimentos e vai contar com tecnologia de processo e automação fornecida pela Honeywell. Já a parceria entre Bunge, Petrobras e Vibra viabilizou 4.000 metros cúbicos de um combustível produzido a partir de óleo de soja de Mato Grosso, coprocessado em uma refinaria no Rio de Janeiro. O lote inicial será ofertado no Aeroporto do Galeão e deve abastecer cerca de 1.600 voos na ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo.

A Petrobras também avança em outra frente: a estatal aprovou investimento de R$ 6 bilhões para uma unidade dedicada à produção de SAF na Refinaria de Presidente Bernardes, em Cubatão, litoral de São Paulo. A planta terá capacidade estimada de 870 milhões de litros por ano, com possibilidade de produzir também diesel renovável, e início de operação previsto para 2030. O projeto se soma a outra unidade em estruturação na Refinaria de Paulínia, que também busca certificação internacional dentro do programa Corsia ao longo de 2026.

A tecnologia por trás do combustível verde

A maior parte da produção atual de SAF no mundo utiliza uma tecnologia conhecida como Hefa, sigla em inglês para ésteres e ácidos graxos hidroprocessados. O processo transforma óleos vegetais e gorduras animais em um combustível quimicamente equivalente ao querosene de aviação convencional, permitindo seu uso em motores já existentes sem necessidade de adaptações estruturais nas aeronaves. É essa característica que torna o SAF a principal alternativa tecnológica disponível hoje para reduzir as emissões do setor aéreo, segundo especialistas da Associação Internacional de Transporte Aéreo, a IATA.

Atualmente, a produção global de SAF representa uma fração pequena do consumo total de combustível de aviação comercial, algo em torno de 0,8%, segundo estimativas da própria IATA. No entanto, o potencial do Brasil é considerado expressivo pela entidade: durante a 82ª reunião anual da IATA, realizada no Rio de Janeiro em junho, a organização projetou que o país pode chegar a produzir até 60 milhões de toneladas de SAF por ano até 2050, volume equivalente a cinco vezes a produção global estimada para 2026.

Testes com aeronaves brasileiras mostram avanço do setor

A Embraer, fabricante brasileira de aeronaves, já realizou testes com combustível 100% sustentável em voo, um marco relevante já que a maior parte das misturas comerciais atuais combina SAF com querosene convencional em proporções que variam conforme a tecnologia disponível em cada aeroporto. Companhias aéreas internacionais também têm ampliado gradualmente o uso do combustível: a holandesa KLM, por exemplo, já trabalha com uma meta de chegar a 10% de SAF em seus abastecimentos até 2030.

Para o Brasil, a combinação entre experiência consolidada em biocombustíveis, disponibilidade de matéria-prima agrícola e rede de abastecimento já estruturada nos principais aeroportos do país é apontada por especialistas do setor como uma vantagem competitiva relevante. À medida que novas plantas entram em operação e o arcabouço regulatório se consolida, a expectativa da indústria é que o custo de produção do SAF caia e sua participação na matriz de combustíveis da aviação brasileira cresça de forma consistente ao longo da próxima década.

Fontes:

  • https://canaltech.com.br/carros/combustivel-sustentavel-brasil-ganha-novas-usinas-e-tecnologia-para-avioes/
  • https://diariodocomercio.com.br/economia/brasil-lidera-producao-combustivel-sustentavel-aviacao/
  • https://portuguese.news.cn/20260609/310d4121c8aa4631bfdbd53e5ca6e1f0/c.html
  • https://www.raizen.com.br/blog/saf-combustivel

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