A companhia aérea japonesa All Nippon Airways (ANA) firmou um acordo com a Airbus para criar um programa de formação inicial de pilotos. A iniciativa será voltada a cadetes da própria ANA, de empresas do grupo e de companhias parceiras, com treinamento realizado na Sevenair Academy, em Ponte de Sor, Portugal.
Anunciado em 2 de setembro de 2026, o projeto prevê que a primeira turma comece a formação ainda neste ano. Ao todo, 19 cadetes participarão da etapa inicial, em uma proposta que pretende acompanhar os alunos desde os primeiros passos até a obtenção da licença e a preparação para atuar em operações aéreas comerciais.
Segundo o comunicado oficial da Airbus, o programa foi estruturado para receber candidatos mesmo sem experiência prévia de voo. A participação direta da companhia aérea e a adoção de um currículo unificado aproximam a formação acadêmica das necessidades encontradas no ambiente operacional.
Formação começa antes da chegada à cabine
O modelo escolhido pela ANA é conhecido como formação ab initio, expressão usada para descrever programas que conduzem o aluno desde o nível inicial até a preparação profissional. Nesse formato, o cadete não precisa necessariamente ingressar no curso já tendo acumulado horas de voo ou experiência anterior como piloto.
A proposta tem relevância para estudantes porque organiza diferentes etapas do desenvolvimento em uma trajetória única. Em vez de separar completamente a formação básica das exigências de uma companhia aérea, o programa busca construir, desde o começo, conhecimentos e comportamentos compatíveis com a operação comercial.
O treinamento será realizado na Sevenair Academy, em Portugal, conectando uma empresa aérea japonesa, uma fabricante internacional de aeronaves e uma instituição de formação europeia. Essa articulação mostra como a preparação de novos pilotos pode envolver parceiros localizados em diferentes países, ainda que o objetivo profissional esteja ligado às operações da ANA e de empresas associadas.
Currículo adota treinamento baseado em competências
O programa utilizará conceitos de treinamento da Airbus e a metodologia Competency-Based Training and Assessment (CBTA), ou treinamento e avaliação baseados em competências. A abordagem procura avaliar mais do que a execução isolada de manobras, considerando a capacidade do piloto de aplicar conhecimentos e tomar decisões em situações operacionais.
Entre as competências associadas a esse modelo estão a tomada de decisão, a comunicação, o gerenciamento da carga de trabalho e a atuação em ambientes complexos. Para quem está ingressando na carreira, isso significa que o desenvolvimento profissional não fica limitado à repetição de procedimentos: envolve também a compreensão de como agir de forma segura e coordenada diante de diferentes demandas.
Na prática, a adoção de um currículo padronizado pode facilitar a transição entre a escola de aviação e a companhia aérea. O treinamento passa a considerar, desde as etapas iniciais, o tipo de raciocínio, disciplina operacional e colaboração esperados em uma cabine comercial, sem eliminar a necessidade de cumprir os requisitos aplicáveis à formação e ao licenciamento.
Demanda global pressiona formação de pilotos
A iniciativa da ANA também está relacionada ao desafio de renovar e ampliar a força de trabalho da aviação. A Airbus projeta que o setor precisará de 633 mil novos pilotos em todo o mundo nos próximos 20 anos. Desse total, 104 mil profissionais seriam necessários na região da Ásia-Pacífico, área que inclui o mercado de origem da companhia japonesa.
Esses números ajudam a explicar por que empresas aéreas estão participando de forma mais direta da preparação de candidatos. O crescimento da atividade depende não apenas da disponibilidade de aeronaves, aeroportos e rotas, mas também da existência de profissionais habilitados para operar aeronaves em contextos cada vez mais automatizados e exigentes.
Para estudantes brasileiros, o caso oferece um exemplo internacional de como uma companhia pode estruturar uma porta de entrada própria para a carreira. O acordo não altera as regras de formação ou licenciamento no Brasil e também não indica aplicação automática do programa no país. Seu principal interesse está na tendência de integração entre escolas, fabricantes e empresas aéreas.
Próximos passos do programa da ANA
A primeira turma, formada por 19 cadetes, deverá iniciar o treinamento ainda em 2026, em Ponte de Sor. A partir dessa etapa, o programa poderá funcionar como uma referência para a preparação de novos profissionais ligados à ANA, às empresas do grupo e às companhias parceiras incluídas na iniciativa.
O acordo reforça uma mudança de foco na formação de pilotos: além de acumular conhecimento técnico, o aluno precisa desenvolver competências que serão exigidas no cotidiano da operação comercial. Para a aviação, esse tipo de preparação representa uma tentativa de alinhar a expansão da demanda por voos à capacidade de formar profissionais desde as primeiras etapas da carreira.
