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Fundos estressados no Brasil: o que mudou, o que ainda falta e por que esse mercado chegou para ficar?

Mila Korvenko
junho 12, 2026 6 Min de leitura
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Felipe Rassi
Felipe Rassi
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Felipe Rassi contextualiza a evolução dos fundos estressados como um dos movimentos mais dinâmicos do mercado financeiro nacional recente. O especialista, que atua em operações de crédito de alta complexidade, aponta que a centralização tradicional das carteiras bancárias deu lugar a uma maior abertura de mercado.

Contents
Como uma transformação silenciosa acabou mudando o mercado?O que diferencia os fundos mais bem-sucedidos do mercado?O capital estrangeiro e o que ele está enxergando no BrasilOs gargalos que ainda limitam o crescimento do mercadoO horizonte que está se desenhando para os próximos anos

Atualmente, a concorrência pelos ativos envolve fundos especializados e capital internacional. Ao longo do texto, são examinadas as bases estruturais que definem o presente e as projeções futuras desse setor.

Como uma transformação silenciosa acabou mudando o mercado?

O mercado brasileiro de fundos estressados não nasceu de uma decisão regulatória ou de uma mudança legislativa específica. Ele cresceu organicamente, impulsionado por ciclos de inadimplência que criaram estoque de ativos e por uma geração de profissionais que aprendeu na prática como extrair valor de situações que o mercado convencional havia descartado.

Os primeiros fundos especializados surgiram com foco quase exclusivo em carteiras de varejo compradas de bancos, operando com modelos de cobrança em escala. Com o tempo, o apetite migrou para ativos corporativos de maior valor e complexidade, onde o diferencial não era mais escala, mas capacidade analítica e estruturação jurídica sofisticada. Felipe Rassi analisa que essa migração foi acompanhada por uma profissionalização crescente da indústria, com equipes multidisciplinares que combinam advogados, analistas financeiros e especialistas em reestruturação.

O que diferencia os fundos mais bem-sucedidos do mercado?

A diferença entre os fundos estressados que entregam resultado consistente e os que acumulam frustrações raramente está na estratégia declarada. Ela está na execução. E a execução depende, fundamentalmente, da qualidade do processo de análise e da capacidade de gestão ativa dos ativos após a aquisição.

Os fundos mais bem-sucedidos têm em comum um processo rigoroso de due diligence que não abre concessões na avaliação jurídica dos ativos. Eles sabem que uma garantia mal constituída ou um contrato com cláusula problemática pode transformar uma tese de investimento sólida em uma posição irrecuperável. Por isso, a análise jurídica não é uma etapa final de checagem; ela é parte integrante do processo de decisão desde o início.

Felipe Rassi direciona sua prática profissional para estruturações financeiras e operações corporativas complexas, alinhando-se ao perfil técnico exigido pelos comitês de análise de fundos de investimento. A integração dessa expertise jurídica no processo de avaliação mitiga riscos operacionais em transações que envolvem grandes grupos empresariais.

O capital estrangeiro e o que ele está enxergando no Brasil

O interesse de fundos internacionais pelo mercado brasileiro de ativos estressados cresceu de forma consistente nos últimos anos. Gestores norte-americanos e europeus com longa experiência em mercados de estressados maduros identificaram no Brasil uma combinação que raramente encontram em outros emergentes: volume expressivo de ativos, arcabouço jurídico relativamente robusto para execução de garantias e deságios ainda atrativos em comparação com mercados mais eficientes.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Esse capital estrangeiro trouxe práticas e padrões de análise que aceleraram a profissionalização do mercado local. Mas também trouxe uma demanda por transparência e rigor que nem todos os ativos disponíveis conseguem atender. O resultado é uma seletividade crescente, com capital se concentrando em operações onde a qualidade jurídica e financeira da documentação está em linha com os padrões internacionais. Felipe Rassi direciona a engenharia jurídica de operações financeiras complexas para compatibilizar as diretrizes do capital estrangeiro com as especificidades do cenário empresarial brasileiro. A integração desse conhecimento técnico delimita os parâmetros de segurança jurídica exigidos para o ingresso de novos investidores no mercado local.

Os gargalos que ainda limitam o crescimento do mercado

Apesar do avanço, o mercado brasileiro de fundos estressados ainda convive com gargalos estruturais que limitam seu potencial de crescimento. O mais relevante é a morosidade do sistema judicial, que aumenta o prazo e o custo das execuções e torna difícil precificar com precisão o tempo de recuperação de ativos judicializados.

A falta de padronização na documentação das carteiras vendidas por bancos e financeiras é outro obstáculo recorrente. Cada cedente tem seus próprios formatos, e a ausência de um padrão de mercado aumenta o custo da due diligence e cria assimetrias de informação que penalizam os compradores menos experientes.

Por fim, a escassez de profissionais com formação verdadeiramente integrada entre direito e finanças ainda é uma limitação real. A demanda por esse perfil cresce mais rápido do que a oferta, o que coloca profissionais como Felipe Rassi em uma posição de crescente relevância no ecossistema do mercado de ativos estressados brasileiro.

O horizonte que está se desenhando para os próximos anos

As perspectivas para os fundos estressados no Brasil seguem positivas, sustentadas por um ambiente macroeconômico que deve continuar gerando estoque de ativos estressados nos próximos ciclos. A tendência é de maior institucionalização, com regulação mais clara, instrumentos mais padronizados e uma base crescente de investidores qualificados dispostos a alocar nesse segmento.

Felipe Rassi conclui que o mercado que está se desenhando é mais competitivo, mais transparente e mais exigente em termos de qualidade de análise. Quem se preparou para operar nesse ambiente mais sofisticado, com processos rigorosos e expertise integrada, está bem posicionado para capturar o crescimento que ainda está por vir.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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