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Na redução de estrutura em um turnaround, Valdoir Slapak orienta como definir o que preservar

Mila Korvenko
outubro 28, 2026 7 Min de leitura
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Valdoir Slapak
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Para o executivo com atuação em reestruturação empresarial e gestão estratégica, Valdoir Slapak, a redução de estrutura em um turnaround é uma das decisões mais sensíveis do processo, porque envolve ajustar custos sem comprometer a capacidade de gerar receita e de executar a recuperação. A pergunta central deixa de ser quanto cortar e passa a ser o que a empresa precisa preservar para voltar a crescer.

Contents
Por que reduzir estrutura exige critério?Quais critérios usar para decidir o que preservar?Como equilibrar custo, desempenho e recuperação?Como evitar que a estrutura volte a crescer sem critério?

Definir o que preservar exige um critério claro, ligado às atividades que sustentam a geração de caixa, ao relacionamento com clientes e à capacidade de entrega. Nesse cenário, a reestruturação empresarial ganha método, e as decisões deixam de ser orientadas apenas pela urgência de reduzir despesas.

Por que reduzir estrutura exige critério?

Em uma crise, a tentação de reduzir a estrutura de forma ampla é grande, porque os custos de pessoal, espaço e serviços representam parte relevante das despesas fixas. No entanto, reduções sem critério podem eliminar competências, desorganizar a operação e comprometer a receita de que a empresa precisa para se recuperar. Cada área deve ser avaliada pelo papel que exerce na recuperação, e não apenas pelo tamanho do seu orçamento.

Valdoir Slapak ressalta que a redução de estrutura é diferente de uma redução de custos pontuais, pois altera a capacidade da empresa de operar. Por esse motivo, ela deve ser tratada como uma decisão estratégica, com análise do impacto sobre a receita, os prazos de entrega e a qualidade do serviço. A ordem de decisão importa: primeiro entender a função de cada área, depois definir o ajuste.

Uma redução bem desenhada é aquela que a empresa consegue sustentar depois da recuperação, sem precisar refazer a estrutura com urgência quando a demanda se normalizar. Esse cuidado também preserva a confiança das equipes, que percebem critério onde poderia haver apenas corte.

Quais critérios usar para decidir o que preservar?

Alguns critérios ajudam a orientar a decisão: a contribuição da área para a receita e a margem, o grau de dependência de outras áreas, a dificuldade de reposição de competências e a relação entre custo e resultado entregue. Atividades de apoio também devem ser avaliadas pelo valor que geram, e não apenas pelo custo que representam. Quando possível, a avaliação deve usar dados de receita, custo, produtividade e qualidade de entrega, e não apenas impressões.

Valdoir Slapak descreve que o ponto de partida é o mapa de processos que sustentam o cliente, a entrega e o caixa. Em seguida, é possível classificar as áreas em três grupos: as que devem ser preservadas, as que podem ser ajustadas e as que podem ser consolidadas ou encerradas, sempre com base em dados. Esse mapa evita que áreas essenciais sejam ajustadas apenas por serem pouco visíveis.

Valdoir Slapak
Valdoir Slapak

Essa classificação dá transparência ao processo e reduz o risco de decisões baseadas em percepções. A análise financeira por área, com receita, custo e margem, é a base para a conversa com sócios e gestores. O resultado pode ser documentado em uma matriz simples, que facilita a revisão quando as condições da empresa mudarem.

Como equilibrar custo, desempenho e recuperação?

A redução de estrutura deve ser planejada junto com as metas de recuperação. Se a empresa precisa reconquistar receita, melhorar prazos de entrega ou retomar investimentos em vendas, as áreas ligadas a esses objetivos exigem proteção, ainda que seus custos sejam relevantes. Ajustes bem calibrados protegem o que gera resultado e eliminam o que pesa sem retorno.

Valdoir Slapak aponta que o grupo responsável pela recuperação, o chamado Management Team e Restructuring, deve monitorar os efeitos de cada ajuste sobre a eficiência operacional e a receita, com indicadores simples e atualizados. Da mesma forma, as mudanças devem ser comunicadas com clareza às equipes, para que as pessoas entendam o motivo das decisões e o que se espera delas. Indicadores como receita por área, prazo de entrega e custo por atividade ajudam a perceber rapidamente se o ajuste produziu o efeito esperado.

Quando a redução é seguida de metas claras para as equipes que permanecem, a empresa preserva o desempenho e reduz o risco de perda de pessoas-chave. A comunicação clara sobre critérios e prazos reduz a incerteza e ajuda a manter o foco na recuperação.

Como evitar que a estrutura volte a crescer sem critério?

Depois da redução, é comum que a estrutura volte a se expandir quando os resultados melhoram. Para evitar esse movimento, a empresa deve manter regras para novas contratações, novos contratos e criação de áreas, com avaliação do retorno esperado e do efeito sobre o caixa. Essa disciplina preserva o ganho obtido na recuperação e evita que a empresa retorne ao ponto anterior.

A disciplina de caixa depende de revisões periódicas da estrutura, com a mesma lógica adotada durante o turnaround: custo, benefício e contribuição para o resultado. Essa rotina impede que os custos fixos voltem ao patamar anterior sem justificativa. Essa verificação periódica também mostra se alguma área precisa ser reforçada à medida que a demanda se recupera.

Reduzir estrutura em um turnaround é uma decisão que combina método e prudência: mapear os processos essenciais, definir critérios de preservação, monitorar os efeitos dos ajustes e manter regras para novas despesas. Esse caminho fortalece a gestão empresarial, protege a eficiência operacional e dá à recuperação uma base mais estável.

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