Fiagro abre nova via de investimento para o agronegócio

Diego Velázquez
6 Min de leitura
Wander Aguilera Almeida

Em um mercado cada vez mais aberto à participação de investidores externos ao setor produtivo tradicional, os Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais, conhecidos pela sigla Fiagro, têm se consolidado como alternativa relevante de captação de recursos para produtores e empresas do agronegócio brasileiro. Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio que acompanha de perto essa realidade a partir da intermediação de negócios agrícolas, costuma reforçar que compreender essa modalidade de investimento representa conhecimento cada vez mais relevante tanto para quem busca captar recursos quanto para quem avalia investir indiretamente na cadeia produtiva agrícola.

O que é, na prática, um Fiagro?

Um Fiagro funciona como fundo de investimento negociado em bolsa de valores, que capta recursos de investidores interessados em participar indiretamente da cadeia produtiva do agronegócio, aplicando esses recursos em imóveis rurais, recebíveis do setor ou participações em empresas agrícolas conforme a estratégia específica de cada fundo constituído. Wander Aguilera Almeida comenta que essa estrutura permite que investidores sem conhecimento técnico aprofundado sobre produção agrícola acessem esse mercado de forma mais simples, delegando decisões específicas a gestores especializados responsáveis pela administração do fundo.

Essa modalidade de investimento se assemelha, em estrutura, aos fundos imobiliários já consolidados no mercado brasileiro, mas direciona seus recursos especificamente para ativos relacionados ao agronegócio, o que confere características particulares de risco e retorno distintas daquelas observadas em outros tipos de fundos disponíveis atualmente no mercado de capitais nacional. Essa familiaridade estrutural com fundos imobiliários facilita a compreensão do produto por parte de investidores já habituados a esse formato de aplicação.

Como produtores podem se beneficiar da captação via Fiagro?

Produtores e empresas do agronegócio que buscam capital para expansão ou modernização de suas operações podem acessar recursos captados por Fiagros por meio da venda de recebíveis futuros, como Cédulas de Produto Rural, ou da alienação de propriedades rurais em arranjos que permitem ao produtor original continuar operando a terra sob contrato específico de arrendamento. Wander Aguilera Almeida aponta que essa alternativa de capitalização representa opção relevante para produtores que buscam diversificar suas fontes de financiamento, além do crédito bancário tradicional e das linhas governamentais de crédito rural já consolidadas.

Essa diversificação de fontes de capital também reduz a dependência exclusiva de instituições financeiras tradicionais, ampliando as alternativas disponíveis para produtores que enfrentam, em determinados momentos, restrição de crédito bancário relacionada a fatores macroeconômicos que afetam de forma mais ampla a disponibilidade de recursos no sistema financeiro nacional. Produtores que mantêm mais de uma fonte de capital disponível tendem a atravessar com mais segurança períodos de aperto no crédito bancário tradicional.

Quais riscos os investidores precisam considerar ao aplicar em Fiagros?

Investidores que aplicam recursos em Fiagros precisam considerar riscos específicos relacionados à volatilidade do agronegócio, incluindo variações climáticas, cambiais e de cotações internacionais que podem impactar diretamente o retorno esperado do fundo, além de riscos relacionados à gestão específica de cada veículo de investimento escolhido. A diversificação entre diferentes Fiagros, cada um com estratégia e composição de ativos distintas, representa prática recomendada para investidores que buscam reduzir a exposição a riscos específicos de determinado segmento ou região do agronegócio brasileiro.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Essa diversificação também exige que o investidor compreenda as diferenças entre fundos focados em propriedades rurais, fundos voltados a recebíveis do agronegócio e fundos que combinam diferentes tipos de ativos, já que cada estratégia apresenta perfil de risco e retorno consideravelmente distinto ao longo do tempo. Consultar prospectos detalhados e relatórios periódicos de cada fundo antes de investir ajuda a evitar surpresas relacionadas à composição real da carteira escolhida.

Como o mercado de Fiagros tem evoluído desde sua criação?

Desde sua criação, o mercado de Fiagros tem apresentado crescimento consistente em número de fundos ofertados e em volume total de recursos captados, refletindo o interesse crescente tanto de investidores institucionais quanto de pessoas físicas em participar indiretamente do agronegócio brasileiro sem necessidade de gestão operacional direta de propriedades rurais. Essa evolução reflete também a maturidade crescente do mercado de capitais brasileiro em oferecer produtos financeiros específicos para setores estratégicos da economia nacional.

Essa evolução também tem atraído gestores especializados que desenvolvem estratégias cada vez mais sofisticadas de composição de carteira, combinando diferentes tipos de ativos agrícolas para oferecer aos investidores relação de risco e retorno mais equilibrada ao longo de diferentes ciclos econômicos e agrícolas. Para Wander Aguilera Almeida, essa profissionalização crescente da gestão tende a beneficiar tanto investidores quanto produtores que dependem desses fundos como fonte de capital.

Qual o papel do intermediador na conexão entre produtores e esse mercado de capitais?

Um intermediador que compreende tanto a realidade operacional dos produtores quanto a lógica de funcionamento dos Fiagros pode contribuir para conectar produtores que buscam capitalização a gestores de fundos interessados em ativos específicos do agronegócio, facilitando negociações que exigem linguagem técnica compatível entre o universo produtivo e o universo financeiro. Wander Aguilera Almeida costuma indicar que essa função de conexão representa contribuição cada vez mais relevante que um profissional de intermediação atualizado pode oferecer, ampliando as alternativas de capitalização disponíveis para produtores que buscam expandir ou modernizar suas operações agrícolas.

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