A relação entre a alimentação e o câncer passou a orientar políticas públicas de saúde, pontua o médico radiologista, Dr. Vinicius Rodrigues. Estudos reunidos por instituições nacionais e internacionais indicam que parte significativa dos casos pode ser evitada com hábitos diários mais cuidadosos e constantes. Inclusive, a dificuldade do brasileiro não está apenas na falta de informação, e sim também na tradução dela para a rotina do mercado e da cozinha. Portanto, continue a leitura e descubra quais mudanças simples podem ajudar na proteção da sua saúde.
Por que a alimentação influencia o risco de câncer?
O prato diário afeta o organismo de duas formas principais. A primeira é o controle do peso, já que o excesso de gordura corporal se associa a vários tipos de câncer. A segunda é a ação direta de nutrientes e compostos sobre as células, sobretudo no intestino. Dessa forma, cada refeição soma ou subtrai proteção ao longo dos anos, ressalta o Dr. Vinicius Rodrigues.
As diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira e as recomendações do INCA seguem essa lógica. Ambas priorizam alimentos in natura ou minimamente processados e desencorajam produtos industrializados. Aliás, essa orientação ganha força porque não exige dietas restritivas, apenas escolhas coerentes repetidas com regularidade.
Fibras e vegetais: a base de uma alimentação protetora
De acordo com o Dr. Vinicius Rodrigues, ex-secretário de Saúde, as fibras funcionam como aliadas do intestino. Elas aceleram o trânsito dos alimentos e reduzem o tempo de contato de substâncias nocivas com a parede intestinal, o que ajuda a proteger contra o câncer colorretal. Isto posto, a recomendação habitual para adultos gira em torno de 25 a 30 gramas por dia, quantidade que feijões, grãos integrais, frutas e verduras entregam sem esforço quando aparecem em todas as refeições do dia, inclusive nos lanches.
Os vegetais completam esse efeito. Além de fornecerem fibras, reúnem vitaminas e compostos antioxidantes que protegem as células contra danos. Assim sendo, um prato mais colorido serve de parâmetro simples para o dia a dia, pois a variedade de cores indica variedade de nutrientes.
O perigo dos ultraprocessados e das bebidas açucaradas
As diretrizes oficiais também alertam: produtos prontos para consumo, ricos em açúcar, gordura e aditivos, favorecem o ganho de peso e deslocam alimentos mais nutritivos do prato. Aliás, o aviso vale especialmente para os itens listados abaixo, que ocupam espaço crescente na mesa brasileira:
- Refrigerantes e sucos de caixa: elevam o consumo de calorias sem gerar saciedade, e a água deve ocupar o lugar deles;
- Salgadinhos e macarrão instantâneo: concentram sódio e gordura, com pouca fibra;
- Embutidos e carnes processadas: frios como presunto e salsicha aparecem nas recomendações como itens a evitar;
- Cereais matinais e barras de cereal: acrescentam açúcar a produtos que parecem saudáveis.
Reduzir esses itens não exige radicalismo. Segundo o Dr. Vinicius Rodrigues, a troca gradual por água, frutas, castanhas e refeições preparadas em casa já diminui a carga de açúcar adicionado e de aditivos, e o benefício se acumula semana após semana. Em contrapartida, o prejuízo também cresce quando os industrializados dominam a rotina.
Como aplicar as diretrizes na rotina sem complicar?
Na prática, o caminho começa pelo supermercado, e não pela cozinha. Dê prioridade às bancadas de hortifrúti, leia o rótulo dos produtos embalados e prefira lista de ingredientes curta, com nomes que você reconhece. Como ressalta o médico radiologista, Dr. Vinicius Rodrigues, planejar as refeições da semana evita a compra por impulso e facilita a presença de vegetais e leguminosas no cardápio diário, o que reduz naturalmente o espaço dos industrializados no carrinho.
Outras escolhas reforçam o efeito. Manter peso saudável, praticar atividade física e moderar o álcool aparecem junto da dieta nas recomendações oficiais, porque os fatores de risco se somam. Assim, a alimentação funciona melhor quando integra um estilo de vida coerente, e não como medida isolada. Esse conjunto torna a prevenção realista, compatível com o orçamento e com a cultura alimentar de cada família.
A prevenção começa no prato e se constrói a cada refeição
Em suma, seguir as diretrizes oficiais significa, em essência, valorizar fibras e vegetais e reduzir ultraprocessados e bebidas açucaradas. Assim sendo, a prevenção do câncer depende menos de grandes mudanças pontuais e mais de decisões pequenas, repetidas todos os dias. Isto posto, comece pela próxima refeição: troque um item industrializado por um alimento in natura e mantenha o ritmo.
