Gêmeo digital e monitoramento em tempo real: O que muda na gestão de ativos dutoviários com essas ferramentas?

Diego Velázquez
5 Min Read
Paulo Roberto Gomes Fernandes

Paulo Roberto Gomes Fernandes, fundador e presidente da Liderroll, tem na digitalização dos processos de engenharia uma das frentes mais presentes em sua agenda técnica. O conceito de gêmeo digital, que consiste na criação de uma réplica virtual e dinâmica de uma instalação física, está transformando como operadoras e empresas de engenharia monitoram, inspecionam e tomam decisões sobre intervenções em dutos. A integração entre dados de sensores em campo e modelos computacionais de comportamento estrutural representa um salto qualitativo em relação aos métodos tradicionais de inspeção periódica.

O gêmeo digital aplicado a dutos e suas funcionalidades centrais

O gêmeo digital de um duto é alimentado continuamente por dados de campo, incluindo temperatura, pressão, deformação e resultados de inspeções internas. Contudo, a criação de um modelo virtual confiável exige que os dados de entrada sejam precisos e representativos das condições reais de operação. A qualidade do gêmeo depende tanto da densidade da instrumentação instalada quanto da robustez dos algoritmos que processam as leituras recebidas.

A principal vantagem em relação ao monitoramento convencional está na capacidade de simular cenários e antecipar situações de risco antes que se tornem falhas reais. Por conseguinte, operadoras que adotam essa abordagem conseguem planejar intervenções de manutenção com base em previsões de comportamento, e não apenas em reações a anomalias já detectadas. Paulo Roberto Gomes Fernandes reforça que essa mudança de paradigma tem impacto direto na redução de paradas não programadas e no custo total de operação de ativos de longa vida útil.

Monitoramento em tempo real e a transformação na tomada de decisão

O monitoramento em tempo real de dutos deixou de ser uma aspiração técnica e tornou-se exigência regulatória em diversas jurisdições. Sensores de pressão, temperatura e corrosão instalados ao longo das linhas transmitem dados continuamente para centros de controle, onde algoritmos identificam desvios em relação aos parâmetros operacionais estabelecidos. Desse modo, a capacidade de resposta a eventos anômalos aumenta significativamente em relação a sistemas que dependem de inspeções programadas em intervalos fixos.

Paulo Roberto Gomes Fernandes
Paulo Roberto Gomes Fernandes

Em contrapartida, a implementação desses sistemas em dutos de grande extensão enfrenta desafios de conectividade, armazenamento de dados e integração com sistemas legados de controle. Conforme Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida, a superação dessas barreiras depende de uma abordagem modular que permita ampliar a cobertura do monitoramento de forma incremental, sem exigir a substituição completa da infraestrutura existente.

Inteligência artificial e a análise de grandes volumes de dados em dutos

A inteligência artificial tornou-se um componente central na análise dos grandes volumes de dados gerados pelo monitoramento contínuo de dutos. Algoritmos de aprendizado de máquina identificam padrões de degradação imperceptíveis em análises convencionais, correlacionando variáveis de diferentes sensores para produzir diagnósticos mais precisos sobre o estado de integridade do ativo. A Liderroll anunciou a incorporação de inteligência artificial nas aplicações de todas as suas patentes, integrando essa abordagem ao desenvolvimento de soluções para o mercado de dutos em 2025.

Paulo Roberto Gomes Fernandes examina que a capacidade de cruzar dados históricos com leituras em tempo real permite que os modelos melhorem sua precisão progressivamente, tornando os alertas mais confiáveis e os planos de manutenção mais aderentes à realidade operacional. A maturidade crescente dessas ferramentas indica que a análise preditiva baseada em inteligência artificial se tornará padrão na gestão de grandes malhas dutoviárias.

Barreiras de implementação e o papel da cultura técnica nas organizações

A adoção de gêmeos digitais e sistemas de monitoramento em tempo real não é apenas uma decisão tecnológica. Considerando o exposto, ela exige mudanças na cultura organizacional das operadoras, incluindo a capacitação das equipes de engenharia para interpretar os dados produzidos pelos modelos e integrar essas informações aos processos de decisão. 

Paulo Roberto Gomes Fernandes pondera que empresas que investem na formação técnica de suas equipes para trabalhar com ferramentas digitais avançadas tendem a obter resultados superiores em projetos de alta complexidade. A capacidade de combinar o conhecimento acumulado em décadas de experiência com as possibilidades abertas pelas novas ferramentas digitais é o que diferencia as organizações mais preparadas para os desafios da infraestrutura energética contemporânea.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Share This Article