Alex Nabuco dos Santos analisa que, em um mercado imobiliário atravessado por ciclos longos de ajuste e maior incerteza regulatória, a lógica de decisão vem mudando de forma silenciosa. A busca exclusiva por retorno máximo perdeu espaço para uma avaliação mais cuidadosa sobre previsibilidade, estabilidade e capacidade de atravessar cenários adversos. Esse deslocamento de prioridade redefine o que significa eficiência em decisões patrimoniais maduras.
Em ambientes mais complexos, retornos elevados costumam vir acompanhados de volatilidade e dependência de condições externas favoráveis. A previsibilidade, por sua vez, passa a ser vista como um ativo em si, pois reduz a exposição a surpresas negativas e permite planejamento de longo prazo. Essa mudança não elimina o risco, mas o torna mais administrável.
O limite da lógica do retorno máximo
Conforme observa Alex Nabuco dos Santos, decisões orientadas apenas pelo retorno potencial tendem a ignorar variáveis que ganham peso em ciclos prolongados. Ativos que prometem performance elevada em cenários específicos podem apresentar fragilidade quando o contexto se altera. O problema não está no retorno em si, mas na dependência excessiva de premissas otimistas.
Em mercados mais maduros, a assimetria entre risco percebido e risco real se amplia. Retornos máximos costumam exigir timing preciso, leitura correta do ciclo e tolerância a oscilações relevantes. Quando essas condições não se alinham, a frustração de expectativa passa a ser recorrente, comprometendo a consistência do resultado ao longo do tempo.
Previsibilidade como elemento de proteção patrimonial
Alex Nabuco dos Santos aponta que a previsibilidade oferece uma forma distinta de proteção patrimonial. Ativos previsíveis permitem estimar fluxos, planejar usos e ajustar estratégias sem depender de eventos extraordinários. Essa característica ganha importância quando fatores macroeconômicos e regulatórios passam a influenciar o mercado de maneira menos linear.
Ao priorizar previsibilidade, o investidor reduz a necessidade de revisões constantes de estratégia. Isso não significa abrir mão de retorno, mas aceitar níveis de performance compatíveis com maior estabilidade. Em contextos incertos, essa troca tende a favorecer decisões mais sustentáveis.
A relação entre previsibilidade e liquidez
Sob outra perspectiva, Alex Nabuco dos Santos evidencia que a previsibilidade está diretamente ligada à liquidez de longo prazo. Ativos previsíveis mantêm demanda mais consistente, mesmo fora de ciclos de expansão. Eles não dependem exclusivamente de euforia de mercado para transacionar, o que reduz o risco de longos períodos de imobilização.

A liquidez associada à previsibilidade não se manifesta como alta rotatividade, mas como capacidade de negociação em diferentes fases do ciclo. Essa característica se torna especialmente relevante quando o mercado se torna seletivo e o capital passa a priorizar ativos com menor incerteza operacional.
Quando o retorno máximo cobra seu preço
Alex Nabuco dos Santos ressalta que a busca por retorno máximo costuma concentrar riscos que nem sempre são evidentes no momento da decisão. Exposição a segmentos muito específicos, dependência de crescimento acelerado ou sensibilidade extrema a mudanças regulatórias são alguns exemplos. Esses fatores podem comprometer a performance quando o cenário se afasta do esperado.
Além disso, ativos orientados exclusivamente ao retorno máximo tendem a sofrer ajustes mais abruptos em momentos de reversão. A ausência de previsibilidade amplia a volatilidade do preço e dificulta estratégias de saída. O custo desse risco só se revela quando o mercado exige correções rápidas.
Decisões maduras priorizam coerência ao longo do ciclo
Alex Nabuco dos Santos elucida que decisões imobiliárias maduras não buscam eliminar risco, mas torná-lo compatível com objetivos de longo prazo. A previsibilidade permite alinhar o ativo a uma estratégia patrimonial mais ampla, reduzindo a dependência de acertos pontuais de timing.
Essa coerência ao longo do ciclo favorece resultados menos espetaculares em picos de mercado, mas mais consistentes ao longo do tempo. Em vez de alternar entre euforia e retração, o portfólio tende a se comportar de forma mais equilibrada, preservando valor mesmo em cenários adversos.
Previsibilidade como vantagem competitiva silenciosa
Por fim, Alex Nabuco dos Santos comenta que a previsibilidade se tornou uma vantagem competitiva silenciosa no mercado imobiliário. Em um ambiente onde muitos disputam retornos máximos, poucos se dedicam a construir estabilidade. Essa escolha, embora menos visível, tende a produzir decisões mais robustas.
Reconhecer o valor da previsibilidade não significa abdicar de crescimento, mas compreender que, em mercados maduros, proteger o caminho importa tanto quanto maximizar o destino. Para decisões patrimoniais de longo prazo, essa leitura se mostra cada vez mais relevante.
Autor: Mikesh Samnaeth
